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DOSAGEM SÉRICA DE CTX

Carboxitelopeptídeo de ligação cruzada do colágeno tipo I
O desenvolvimento tecnológico e socioeconômico levou a um aumento da expectativa de vida da população. Nos países desenvolvidos, a expectativa média de vida é em torno de 80 anos de idade, fazendo com que, aproximadamente, um terço da vida das mulheres se passe no climatério e na senectude. Nos Estados Unidos, cerca de 25 milhões de mulheres sofrem de osteoporose, responsável por elevada incidência de fratura de fêmur proximal. Essa fratura possui grande morbimortalidade, sendo considerada a causa de maior custo de internação hospitalar naquele país. Sendo assim, frente ao impacto socioeconômico das complicações osteoporóticas, medidas preventivas terapêuticas vêm sendo adotadas e, na avaliação destas, estão incluídos o acompanhamento clínico, exames bioquímicos e de imagem. Aproximadamente 20% a 30% das mulheres pós-menopausa apresentam uma taxa de mais de 3% de perda óssea/ano, sendo consideradas "perdedoras rápidas". Um pico de massa óssea inadequadamente baixo e uma alta taxa de perda óssea são considerados os principais fatores de risco para o desenvolvimento de osteoporose. A densitometria óssea é utilizada para medir a massa óssea, e a evolução dos equipamentos proporcionou maior reprodutibilidade, menor dose de radiação e melhor resolução de imagens. Uma limitação desse método é que uma única medida não estima a taxa de perda óssea, sendo necessárias medidas múltiplas para tal avaliação. Para uma avaliação laboratorial da taxa de perda óssea, podem ser utilizados os marcadores bioquímicos de remodelação óssea, podendo ser medidas atividades enzimáticas relacionadas às células de formação ou reabsorção óssea. Podem também ser avaliados, em sangue ou urina, componentes da matriz óssea liberados na circulação depois de sua secreção pelos osteoblastos ou depois de sua liberação durante a reabsorção osteoclástica. Dentre os marcadores, destacam-se: marcadores de formação – fosfatase alcalina ósseo-específica, osteocalcina e peptídeos de extensão do pró-colágeno tipo I; marcadores de reabsorção – fosfatase ácida tartrato-resistente, piridinolina, deoxipiridinolina, N-telopeptídeo (NTX) e C-telopeptídeo (CTX) de ligação cruzada do colágeno tipo I. Os marcadores ósseos são utilizados, isoladamente ou em conjunto, com a densitometria óssea, nas seguintes situações: identificação do estado de alta remodelação e de pacientes em risco de osteoporose, seleção de pacientes para a terapia anti-reabsortiva, predição do risco de fratura e, principalmente, monitoração da resposta terapêutica. Estudos têm demonstrado que, após o início da terapia anti-reabsortiva, existe uma redução significativa nos marcadores de reabsorção óssea, após período de quatro a seis semanas, e nos marcadores de formação, após três meses. Agentes anti-reabsortivos produzem uma redução de 20% a 80% nos marcadores de reabsorção, dependendo do agente e do marcador. Uma consideração importante quanto ao uso dos marcadores na monitoração da eficácia do tratamento é a grande variabilidade que eles apresentam dia a dia. Diferentes variações são relatadas, provavelmente relacionadas às populações estudadas, ao número de pessoas avaliadas, aos tipos de ensaio e à duração do estudo. Ensaios realizados no soro, em vez da urina, usualmente, apresentam melhor reprodutibilidade, pois evitam a necessidade de correção pela creatinina, que é um fator que aumenta a variabilidade do ensaio. Sendo assim, na monitoração do tratamento, os marcadores urinários de reabsorção óssea necessitam de variações maiores que 30% a 50% para serem consideradas significativas, enquanto que variações de 15% a 20% nos marcadores séricos podem ser mais valorizadas como resposta à terapia. Estudos que utilizam dosagens de CTX no soro demonstram menor variabilidade intra-individual quando comparados aos estudos com dosagens urinárias, apesar de a magnitude da resposta ao tratamento anti-reabsortivo ser semelhante. Esse fato leva a um aumento da sensibilidade na detecção de alterações significativas, em nível individual, quando se utiliza o ensaio sérico de CTX. Outra vantagem é o uso de técnica automatizada, diminuindo a variação analítica intra e interensaio dos métodos convencionais de Elisa. Mais recentemente, foi desenvolvido um ensaio sérico automatizado "beta-CrossLaps", no equipamento Elecsys®. Tal ensaio mede fragmentos de degradação do colágeno tipo I (beta-CTX), que contêm o octapeptídeo beta-isomerizado EKAHD-beta-GGR. É
um imunoensaio eletroquimioluminométrico que utiliza dois anticorpos monoclonais
dirigidos contra diferentes regiões do EKAHD-beta-GGR. Como citado anteriormente,
apresenta as vantagens de ser um ensaio automatizado, realizado no soro,
apresentando menor coeficiente de variação biológico e analítico.
Método: ensaio eletroquimioluminométrico.
Amostra: sangue (tubo de EDTA). Jejum de oito horas. Colher pela manhã, de
preferência até duas horas após o horário habitual de acordar. Se forem coletas
seriadas, deve-se manter o mesmo horário de coleta.
Valores de Referência:
Masculino
acima de 70 anos – 0.230 a 0.854 ng/mL.
Feminino

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 – Póvoa L. C. Endocrinologia da Perimenopausa e Climatério. In: Lemgruber I.; Póvoa
L. C.; Carneiro R. A. Perimenopausa, Climatério e Senectude. Rio de Janeiro,
Revinter, 1999. p. 7-10;

2 – Hansen, M. A.; Overgaard, K.; Riis, B. J.; et al. Role of Peak Bone Mass and Bone Loss in Postmenopausal Osteoporosis: 12-Year Study. B. M. J., 303 (19): 961-964, 1991; 3 – Riis, B. J. The Role of Bone Loss. Am. J. Med., 98 (suppl. 2A): 29-32,1995; 4 – Garnero, P.; Sornay-Rendu, E.; Chapuy, M.; et al. Increased Bone Turnover in Late Postmenopausal Women is a Major Determinant of Osteoporosis. J. Bone Miner. Res., 11(3): 337-349, 1996; 5 – Delmas, P. D. The Role of Markers of Bone Turnover in the Assessment of Fracture Risk in Postmenopausal Women. Osteoporos. Int. (suppl. 1): 32-36, 1998; 6 – Rosen, H. N.; Moses, A. C.; Garber, J.; et al. Serum CTX: a New Marker of Bone Resorption that Shows Treatment Effect More than Other Markers Because of Low Coefficient of Variability and Large Changes with Bisphosphonate Therapy. Calcif. Tissue Int., 66:100-103,2000; 7 – Greenspan, S. L.; Rosen, H. N.; Parker, R. A. Early Changes in Serum N-Telopeptide and C-telopeptide Cross-linked Collagen Type I Predict Long-Term Response to Alendronate Therapy in Elderly Women. J. Clin. Endocrinol. Metab., 85 (10): 3537-3540, 2000; 8 – Delmas, P. D.; Hardy, P.; Garnero, P.; et al. Monitoring Individual Response to Hormone Replacement Therapy With Bone Markers. Bone, 26: 553-560, 2000; 9 – Chapurlat, R. D.; Garnero, P.; Breart, G.; et al. Serum Type I Collagen Breakdown Product (Serum CTX) Predicts Hip Fracture Risk in Elderly Women: the Epidos Study. Bone, 27: 283-286, 2000; 10 – Okabe, R.; Nakatsuka, K.; Inaba, M.; et al. Clinical Evaluation of the Elecsys Beta-CrossLaps Serum Assay, a New Assay for Degradation Products of Type I Collagen C-telopeptides. Clin Chem., 47(8): 1410 -1414, 2001.

Source: http://www.lsf.com.br/arquivos/medicos/texto/DOSAGEM%20S%C3%89RICA%20DE%20CTX.pdf

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